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Archive for January, 2006

Novidade

A par com sentimentos novos, entre conversas e risos por debaixo dos cobertores.
Lá fora um frio imenso de Inverno. Cá dentro, a batida incessante dos nossos corações.
“Não sei o que se passa comigo. Nem quero saber. Basta-me saber que é bom, e novo para mim”.
Senti na tua a minha descoberta.
Como se fossemos crianças a descobrir [...]

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Sonho

Abracei-o como se fosse meu.
Tomei-lhe o gosto. Matou-me a sede.
E quem és tu infante, senão a personificação do pecado?
Sentei-me no sofá, como um velho que aguarda o fim dos dias. Perscrutei todos os registos do passado. Dividi o bom e o mau.
Embalei os sorrisos em papel prata e rasguei as tristezas como quem limpa o [...]

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À luz de uma página em branco

Está quase na hora de partir.
Ainda brilhas nos meus olhos.
Foram muitos anos à espera do som dos teus passos no corredor.
Digo que quero rasgar esta pele e encarnar outro destino.
Mas tu pegas-me na mão e dizes:
Foram muitos anos a fugir das batidas do teu coração.
Eu choro. Mas tu abraças-me.
E numa explosão de sentimentos, a verdade [...]

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O adeus que não te disse

O ritual dos meus dias.
Sempre os mesmos nomes prostrados no chão, procurando silenciosamente o seu espaço e a sua ordem.
E o teu, em itálico, mostra a mesma realidade que uma língua já morta.
Os meus pensamentos tornaram-se cruéis, indivisíveis. E à medida que vejo o meu sentimento morrer, sinto todos os outros seguir-lhe o passo. É [...]

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Retratos dourados de sentimento

Naqueles olhos castanhos de mel, vi perder-me uma e mil vezes.
Não precisavas de ensaiar o discurso, não precisava de ser perfeito, bastava apenas que me mostrasses os retratos dourados de sentimento.
Mas cansam-se as horas e a caneta já não escreve.
As palavras ficam presas na parede, no tecto, no chão, junto com jornais, livros, histórias.
Já apaguei [...]

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Dose

Já nada é como dantes, porque já não transbordo sentimento.
Porque me recuso a falar de ti.
E que fazer, quando a verdade se nos apresenta assim em letras maiúsculas?
É impossível ignorar este apelo.
E aqui arrisco a usar a palavra proibida, pegando no copo em que cuspi e guardando-o ali naquela sombra.
Às vezes é preciso marcar ideias [...]

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Memórias do passado

Por entre linhas e trevos de quatro folhas, o tempo urge.
Rebolam ideias nos campos outrora verdejantes.
Uma flor, ainda inocente, cede a sua existência a um pé rapado, que a pisa alucinado, num andar incongruente.
Já se fizeram pactos secretos entre as plantas e o Homem. Mas a palavra de nada vale sem um selo que a [...]

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