As palavras já se gastaram.
Tentamos enriquecê-las com sentimento, mas também ele se esgotou em todas as formas.
Escrevo na escuridão da alma, onde uma impenetrável forma de ser me move a outros percursos.
Quem me dera fechar este livro de tristes histórias, envoltas em duras memórias, que me cansei de recordar.
Há um surto de consciência a que não me canso de apelar, na esperança vaga de apagar todo o sofrimento.
O coração é uma alma de respeito. Se não é conservado num hábito de bons costumes, vai definhando com o tempo e com as cinzas das cartas de amor outrora escritas.
Que hábitos restam a um figurante do amor?
Amor eterno ou resignação.
Certamente é mais feliz quem vive na ignorância dos bons prazeres, quem se entrega sem razão ao sentimento do bem querer sem apelar a porquês.
Sempre me questionei aos quatro sábios. Nunca levantaram as suas cabeças para responder. Esconderam sempre as suas respostas num parecer indiferente.
Pergunto-me até que ponto é o silêncio uma resposta.
No entanto estão sempre os quatro em concílio, dando a palma da mão para prever qualquer futuro.
Algo me assombra neste quadro.
É que na verdade, não há ninguém a decidir por mim.
Palavras gastas
December 26, 2005 by Framboise Dartigen




