Às vezes olho para ti e penso:
Há um cálice de alma à espera para ser bebido.
Já não sei o que sentir quando as portas se fecham. Quando me encontro sozinha entre quatro paredes brancas e frias. Quando não há sons que me despertem para o mundo.
Numa espécie de concordância muda, aprendi a ocultar as fagulhas de uma chama já há muito crepitante.
A chuva teima em apagá-las. A lenha foi-se esgotando, e com ela o calor que me acalentava.
Olho as minhas mãos, rasgadas pelo tempo e sinto como se um século tivesse passado por mim, hesitante e tortuoso.
Não há memória de um sentimento assim.
O futuro de esperança apagou-se tão rapidamente que nem dei por mim a vivê-lo intensamente…
É assim que me deixo vergar a este sentimento angustiante de não te ver, sequer distante.
Cálice de alma
November 26, 2005 by Framboise Dartigen




