O silêncio virou-me contra ti.
Fechei a porta e selei contrato com a chuva. Ficaria a bater na janela até o teu vulto passar e me perder o rasto.
Fiz dos meus olhos chuva também ao sentir o vento arrombar-me os sentidos e levar toda a réstia de racionalidade.
Apeteceu-me abraçar-te ali naquele canto, onde existiam outros, mas só estávamos nós: eu, tu, e as nossas mãos.
Foi um sonho pintado a realidade. O concreto que nunca digeri. A verdade nos teus olhos, sem aviso.
São pedacinhos de mim que desbotam desse quadro. Sentimentos vivos que se perdem, como o tempo que passa galopando.
Se tu viesses ver-me, nesse dia em que o sol brilha alto na planície, eu traria o meu vestido azul de céu para tu pintares as nuvens no meu rosto.
Mas chegámos à estação das chuvas, onde o sol já não brilha. Tu não estás.
Partiste com o vento seguindo as nuvens para um novo destino.




