He gave her flowers.
She smiled.
Sequei as lágrimas do canto do olho, mas elas teimaram em cair como setas directas ao meu coração.
Murchou a vida em mim. Por dentro. Por detrás da máscara de sorrisos.
Por detrás do descanso.
Uma tristeza que se perde nos olhares distantes dos outros.
A procura.
A vontade de que me leias os olhos e saibas que tudo em mim morreu sem ti.
Dares-me a mão e começarmos tudo de novo.
O toque de um beijo há muito esquecido.
Abro a janela e afasto as cortinas, que afinal eram tuas.
Sinto uma aragem fresca, um vento que leva o cheiro dos vícios e das solidões.
Quase que podia jurar que senti a brisa do mar. Cheguei a beliscar-me com tamanha mentira.
Agora já não há eu, nem tu, nem nós.
Há apenas ela e os outros.
Os outros, atrás da linha que foi marcada a duas léguas.
Hoje vou dormir com a janela aberta, e deixar o mundo embrulhar-se nos meus cabelos.




