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Hino

És um hino emergente de ternura. E que mais se pinta neste corpo senão o toque macio da tua mão?
Sou, no sol-posto, uma antítese de sentimento. Uma fuga corrente à verdade. Mas quando tudo o resto me pesa, sei que estás aqui para me dar um porto seguro e um novo despertar.

Omnipresente

Talvez diga que me inspiras, porque gosto de ser para ti um pouco mais a cada dia. Quando o teu rosto se ilumina para dar voz ao sentimento, eu canto e sorrio só para ti. É como uma névoa que se acerca, centrando o meu mundo no teu. São estranhos prazeres que me aquecem a alma, desnudando todo o sentimento.
E para quê ser par, quando se pode ser uno? Degusto todas as dimensões do universo para te olhar em planos infinitos. Ainda hoje não me canso de te descobrir em estrelas quando a saudade me aperta.
Serás deus omnipresente sempre que uma lágrima me escorrer pelo rosto. Assim contenho o soluço e a avalanche que sussurra desmedida.

Há um truque para te amar sem dor. É por isso que tenho em mim a paz do mundo.

Desabafo

No silêncio encontrei conforto e lucidez. As propostas? Atirei-as pela janela e não ousei arrepender-me. É que num dia como o de hoje, as imagens parecem mais turvas, os sons parecem mais tristes e a dor parece só minha.

Alucinação

Não há mentira no que digo, apenas redundância. Na verdade tudo se sobrepõe na mesma intenção. Chamemos-lhe reducionismo.
Quando os sentimentos são obtusos, tudo se justifica. Parafrasear sentimentos alheios acaba por ser uma forma de fuga, talvez inconsciente, a toda a verdade imperativa.
Diga-se que durante uma alucinação deste tipo, estou plenamente consciente. Na verdade tudo é metodicamente analisado para fugir ao cerne da questão.

Chuva

Talvez seja um brilhozinho nos olhos. [ou apenas a chuva que cai]
Ganha-se um novo encanto, aquele que o alivio contrai.
Em redor resgatam-se sorrisos e acendem-se chamas. É a cadência da alma, embalada no conforto.
Hoje coleccionam-se os sons e as cores de um Inverno despido de preconceitos.
Liberta-se o coração dos cantos para deixá-lo balançar no eco.
É uma salva de recordações.

Eterno instante

O primeiro olhar sobre ti. Um sorriso rasgado. Um abraço apertado. Um perfume que se guarda cá dentro. O abraço que se repete. As mãos que se entrelaçam. A certeza.

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